87º Dia Internacional do Cooperativismo

DISCURSO DE  COMEMORAÇÃO DO DIA INTERNACIONAL DO COOPERATIVISMO

                        Após sete anos à frente da Organização Estadual representativa do cooperativismo em Alagoas, hoje OCB-Al, acreditamos que é oportuno trazer algumas reflexões para esse momento em que comemoramos o dia internacional do cooperativismo porque, provavelmente, esta será a última oportunidade que tenho de participar, como Presidente de nossa organização, de um encontro público com o Governo e outros poderes do Estado, uma vez que encerro o meu mandato antes da próxima comemoração desta data tão importante para o cooperativismo no próximo ano.
                        Um pouco antes de assumirmos o primeiro mandato em nossa organização reunimos o conjunto dos cooperativistas engajados, até então na luta, para fazermos uma análise do cooperativismo em Alagoas e elaborarmos um plano de trabalho para dar uma direção à nova gestão que se iniciaria. Como resultado desse trabalho foi concebido um documento com o Planejamento Estratégico a ser implementado nos anos seguintes constituindo-se no Plano de Trabalho da nova diretoria. Nesse documento pudemos constatar alguns problemas do sistema em nosso Estado tais como: baixo conhecimento da marca SESCOOP, falta de reconhecimento da representatividade da OCEAL/SESCOOP em relação às cooperativas, divulgação ineficiente do papel e da missão da entidade, falta de treinamento básico para os cooperados, ausência de instrumento de avaliação de trabalho, Inter relacionamento limitado entre a OCEAL/SESCOOP AL e as cooperativas, legislação cooperativista defasada, falta de aproveitamento das possibilidade de  parcerias com o sistema “S” e Organizações (Judiciário, Junta comercial, DRT), baixo comprometimento e de conhecimento dos cooperados sobre o que é ser cooperativista, falta de alinhamento entre a organização nacional (OCB) e a organização estadual (OCEAL), falta de incentivo governamental ao sistema pelo afastamento do mesmo das esferas governamentais.
                        Decorridos esses sete anos temos a satisfação de constatar que as ações criadas naquela ocasião trouxeram resultados positivos para o cooperativismo alagoano. Hoje, o reconhecimento da sociedade em geral em relação ao trabalho da nossa entidade existe e se consolida cada vez mais à medida que o tempo vai passando. Esse evento que vivemos neste momento é uma pequena amostra desse fato. Nunca na história do povo alagoano um governo como o de Vsa. Excelência que recebe, apóia e estimula o cooperativismo, tinha acontecido. Isso foi fruto do trabalho desenvolvido a partir daquele Plano Estratégico e dedicadamente executado.
                        Com relação aos problemas que o cooperativismo alagoano enfrentava, fomos resolvendo pouco a pouco cada um deles. Por exemplo: como já dissemos antes, o reconhecimento da marca já existe,  e com ele o alinhamento com a entidade nacional através da mudança da sigla para OCB/Al que não se restringe apenas a uma mudança de nome mas, também na aplicação das diretrizes nacionais para o desenvolvimento das cooperativas brasileiras. Assim, a OCB/Al é, de fato e de direito, a entidade reconhecida no Estado como representativa do cooperativismo.
                        Trabalhamos também a qualificação dos cooperados que melhorou tanto no sentido do conhecimento da doutrina cooperativista, bem como na qualificação profissional para desempenhar seu papel como cooperado ou como gestor da sua cooperativa. Para tanto, investimos na preparação de um grupo de professores tanto da universidade pública quanto privada, visando utilizar as inteligências da nossa terra, cada uma em sua especialidade enriquecida com o conhecimento da doutrina cooperativista para formar um corpo pensante que pudesse acelerar o desenvolvimento do cooperativismo e, também, valorizar o nosso pessoal, aumentar a possibilidade de trabalho para eles e reduzir o custo dos cursos, economizando em passagens e hospedagens para fazer mais com o mesmo recurso que já dispúnhamos.
                        Pelo fato de não dispormos de instrumentos de avaliação constatamos que o nosso quadro de colaboradores necessitava de aperfeiçoamentos e partimos para estimular a melhoria da escolaridade de todos. Após esse período, constatamos que todos os nossos colaboradores ou têm curso superior, ou o estão cursando. Aqueles que já tinham curso superior foram estimulados a fazer pós-graduação ou mestrado. De maneira que, hoje, já é possível trabalharmos usando instrumentos de avaliação que era impossível no passado recente.
                        Promovemos também um trabalho de aproximação com o Sistema “S” no estado e estamos usando a inteligência e o “expertise” desse Sistema para nos ajudar em nossa missão. E, aproveito o momento, para de público, expressar o nosso agradecimento.
                        Da mesma forma, procuramos nos aproximar das demais instituições representativas dos poderes constituídos, a exemplo do poder judiciário nas suas várias instâncias para apresentarmos as nossas teses e defender os pontos de vista do cooperativismo.
                        Sr. Governador, nas relações com o estado quero destacar o papel que o governo de Vossa Excelência tem desempenhado no cumprimento desta nossa missão. Quando ainda candidato ao governo, Vsa. Excelência promoveu encontros com vários setores organizados do nosso estado para nos ouvir e colocar no seu plano de governo ações que seriam importantes para cada um deles. Confesso que, ao ser chamado para participar de uma dessas reuniões, compareci com o certo receio de que teríamos a repetição do que já nos tinha acontecido em outras ocasiões. Isto é, colocar um conjunto de frases em um papel que depois não teriam nenhum efeito. Palavras escritas sem nenhuma consequência. Graças a sua determinação esse meu receio não se concretizou. Hoje, de todas as propostas apresentadas naquela ocasião podemos dizer que todas foram cumpridas, abrindo o campo para os necessários avanços que o cooperativismo necessita em nosso estado. Se não, vejamos: 1- reinvindicamos que a Junta Comercial do Estado de Alagoas solicitasse das novas cooperativas um pré-registro na nossa OCB para que os erros de constituição de cooperativas não continuassem ocorrendo, levando a um  processo de descrédito no cooperativismo;   2- Pedimos que os registros dos atos das cooperativas (atas, estatutos e todos os demais atos), fossem feitos na JUCEAL sem cobrança de taxas para estimular e facilitar o desenvolvimento do cooperativismo no Estado; 3- Solicitamos que houvesse a inserção do ensino do cooperativismo no sistema educacional do Estado; 4- Constamos a falta de legislação que definisse a Política estadual para o setor.
Temos hoje a satisfação de constatar que essas dificuldades foram superadas. A partir da aprovação e sanção da Lei Estadual que regula a Política Cooperativista as questões acima puderam ser resolvidas. Por todos os avanços conquistados, o cooperativismo alagoano, por meu intermédio, agradece.
Neste momento estamos dando mais alguns passos decisivos para o nosso futuro. A criação da Frente Parlamentar do Cooperativismo Alagoano está se consolidando.
                        No plano nacional a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) é uma das mais antigas em atuação no Congresso Nacional. Instalada oficialmente em 1986, está presente nos 13 ramos de representação do cooperativismo, participando ativamente dos debates de praticamente todos os assuntos de interesse nacional nos três poderes da República.
                        Atualmente, contamos com a adesão de 221 congressistas, distribuídos nas duas casas legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal, com representatividade de todos os estados da federação e da maioria dos partidos políticos.
                        No nosso Estado queremos propor a constituição desse grupo político, não ideológico, independente de sigla partidária, reunido para defender os interesses do Cooperativismo em todos os seus 13 Ramos;
                        Cuja missão será atender, de forma personalizada, o Cooperativismo, trabalhando no aperfeiçoamento e na implementação de uma legislação que promova o seu desenvolvimento;
                        E terá como objetivo trabalhar solidária e coordenadamente na defesa dos interesses do Sistema Cooperativista, promovendo e divulgando suas ações, representando-o na Assembléia Legislativa em todas as áreas e níveis de Governo.
                        A criação da Frencoop Alagoas aproximará a Assembléia Legislativa das lideranças cooperativistas estaduais, principalmente através da OCB/AL, facilitando a comunicação entre elas, o que culminará com um maior entendimento por parte da classe política da filosofia cooperativista, aumentando o incentivo ao cooperativismo, aliado ao desenvolvimento do Estado.
                        Sem dúvida alguma o cooperativismo é uma das saídas para o desenvolvimento da economia social no Estado de Alagoas, possibilitando melhorar o IDH Alagoano.
                        Há de se ressaltar que o Estado de Alagoas foi um dos pioneiros no Brasil na promulgação da Lei Estadual do Cooperativismo (Lei 6.904 de 03 de janeiro de 2008) que se encontra em fase de regulamentação. Também já contamos com o CONECOOP – Conselho estadual do Cooperativismo. Mas a defesa do cooperativismo não deve parar, inúmeras ações merecem ser observadas de imediato, dentre elas:

  1. Criação de instrumentos e mecanismos que estimulem o contínuo crescimento das atividades cooperativistas;
  2. Criação de legislação favorável referente à cobrança de ICMS às cooperativas;
  3. Apoio à criação da Homenagem Anual às pessoas referenciais do cooperativismo;
  4. Apoio à criação da Homenagem ao Parlamentar destaque do cooperativismo;
  5. Comemoração do Dia Internacional do Cooperativismo;
  6. Como já anteriormente citado, inserção na grade escolar da disciplina “cooperativismo”;
  7. Incremento e profissionalização das cooperativas em convênio com o Governo do Estado e dos Municípios;
  8. Estímulo a forma cooperativista de organização social, econômica e cultural nos diversos ramos de atuação, com base nos princípios gerais do associativismo e da legislação vigente;
  9. Divulgação das políticas governamentais em prol das sociedades cooperativas em âmbito municipal e estadual.
  10. Reconhecimento das cooperativas como habilitadas a participar dos processos licitatórios pois, em vários estados do nosso País esse entendimento já está consolidado, uma vez que o judiciário reconhece que a participação das mesmas nos processos licitatórios não fere o princípio da isonomia ou outro princípio que possa ser alegado para vetar a nossa participação.

                        Sr. Governador, meus companheiros e companheiras cooperativistas, minhas senhoras e meus senhores, o associativismo é um valioso instrumento para incrementar as atividades econômicas, por intermédio do estímulo à prática da cooperação entre as pessoas, principalmente das menos favorecidas. Nesse sentido, a Cooperativa é uma forma de organização que busca desenvolver maneiras mais eficientes para a obtenção de resultados comuns. Podemos dizer que o Cooperativismo é uma forma de organização da atividade econômica que possibilita a viabilidade dos empreendimentos desde os de pequeno porte até os de grande porte.
                        Para atingir os resultados que desejávamos, nos guiamos pela prática das quatro tendências definidas pelo cooperativismo brasileiro buscando a profissionalização da gestão empresarial com ênfase na Educação para melhorar a capacitação e a formação cooperativista promovendo a Intercooperação pela busca da formação de redes empresariais cooperativistas e também através das ações de Responsabilidade Social nas comunidades onde as cooperativas se encontram pois, é próprio da sua natureza o interesse pela comunidade que é a razão da existência da cooperativa. Pela persistência, guiados por essa linha de trabalho, conseguimos, em nosso Estado, alguns resultados muito expressivos. Somos 100 cooperativas registradas, que congregam mais de 20.000 cooperados, isto é, quase 100.000 mil pessoas se considerarmos as suas famílias e mais de 4.000 colaboradores trabalhando nas estruturas administrativas das cooperativas alagoanas.
                        Esse conjunto que é uma significativa parte da economia alagoana é responsável por movimentar mais de 400 milhões de reais por ano além de muitos outros benefícios indiretos da ação das cooperativas em nossa comunidade.
                        Quero destacar que esse setor da economia alagoana é diferenciado pois é o grupo que nós chamamos de Economia Social porque promove a INCLUSÃO SOCIAL através da EFICIÊNCIA ECONÔMICA, que leva a EFICÁCIA SOCIAL, construindo a IDENTIDADE DA CIDADANIA com GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA pois traz como consequência DISTRIBUIÇÃO DE RENDA e CRESCIMENTO ECONÔMICO, levando ao DESENVOLVIMENTO SOCIAL porque tem o FOCO NAS PESSOAS.
                        Tudo isso é importante, merece comemorações mas, posso dizer que, nós cooperativistas, o Governo do Estado, as administrações municipais, a exemplo do Prefeito de Cururipe, aqui presente, representando o Sr. Prefeito, Sra. Janine Beltrão, secretaria de Educação daquele Município, a quem agradecemos pela oportunidade de implantar nas escolas de Coruripe o COOPERJOVEM, as demais instituições da sociedade, dizer que apenas construímos as bases de um trabalho que precisa crescer e se aperfeiçoar mais e mais. É necessário que nos empenhemos em consolidar aquelas propostas já citadas acima para atingirmos os patamares de desenvolvimento desejados por todos nós.
                        Quero saudar a todos os cooperativistas nesse dia internacional do cooperativismo conclamando os companheiros para nos unirmos em torno dessa doutrina e melhorar a nossa vida e da sociedade em que vivemos.
                        Agradeço de todo o coração e de todo o meu entendimento a Deus, em primeiro lugar, aos amigos e amigas cooperativistas, ao Sistema “S” em Alagoas, aos Governos municipais que se abrem às ações cooperativistas, ao Governo do Estado, nas pessoas, do seu Excelentíssimo Governador Teotônio Vilela Filho, seus Secretários de Governo Srs. Luis Otávio Gomes, pessoa que aprendi a admirar pela vontade de mudar a realidade de nosso estado, pelo esforço e competência, de forma especial pois a presença do CONECOOP naquela secretaria nos levou a uma aproximação maior, sem diminuir o empenho e a competência dos demais secretários, que de uma forma ou de outra tem colaborado para apoiar o cooperativismo alagoano.

Muito obrigado!